Felipe F Falcão

Textos


 
     Ainda me lembro do tempo em que as pessoas eram mais unidas. Tudo era tão diferente! Hoje, As pessoas não se respeitam umas as outras como antes e, nem se dão ao respeito. Houve um tempo em que, o amor que existia entre um homem e uma mulher, era verdadeiro, - é verdade que na maioria das vezes, tudo era arranjado pelos pais ou tutores –. Porém, a palavra ou expressão, divórcio, não existia entre os seres. 

     Hoje por nada, por qualquer aparente insatisfação, um diz ao outro, “não está dando certo, acho que é melhor cada um ir para o seu canto”, o outro que não quer ficar por baixo, simplesmente diz “demorou, há tempo que tudo acabou só você não percebeu”.


     Onde será que foi parar o romantismo? É a pergunta que não quer se calar, onde foi para os cinemas ao ar livre, em que para pedirmos uma pipoca ou um guaraná, bastava acender os faróis do veiculo?

     Na maioria das vezes, quando um casal saia para passear, era para passear mesmo, ninguém estava à procura de sexo no primeiro encontro. Quando um rapaz procurava conhecer uma moça, não era com segundas intenções. As pessoas se davam ao respeito. Ninguém ficava devorando a mulher ou namorada de outros com os olhos, ou falando besteiras em publico, tudo e todos, eram levados a sério. 

     As paixões eram duradouras, na maioria das vezes terminava no altar. Hoje as jovens não se valorizam, na verdade todos querem ser usado, querem viver a vida de maneira intensa, sem se preocupar com o amanhã. O tempo e a vida têm passado rápido. 

     As pessoas tentam seguir o ritmo, pensando que se não acompanharem as mudanças que sempre ocorrem de maneira veloz, ficaram ultrapassadas, mas se esquecem de viver, de pensar nas conseqüências que vêm numa velocidade maior ainda.

     Ontem eu estava vindo do trabalho, ao parar em um cruzamento, vi três rapazes sentados em um banco de um ponto de taxi – infelizmente, eu tenho o defeito de está observando tudo a minha volta. Na verdade, é do comportamento das pessoas que tiro minhas inspirações, seja para compor um texto romântico, uma letra de musica, uma prosa ou para criar os personagens dos meus romances, em fim, para mim, tudo é material em potencial –: pois bem, lá estava eu parado no cruzamento. 

     Logo em frente ao ponto de taxi, onde estavam os três rapazes, havia um hotel. Naquele exato momento, passou por ali, isto é, na calçada do hotel, três garotas em trajes, um tanto quanto reveladores. Os rapazes assoviaram, para elas, um foi mais afoito, gritando “gostosa!”. As meninas olharam em direção aos rapazes, em seguida, olhou entre si, uma delas falou alguma coisa ao ouvido da outra. Uma que usava um micro short gritou “qual das três”.

     Os rapazes se olharam, e deram risada. Um deles disse algo para o outro, pareciam combinarem entre si o que iriam dizer. Aparentemente, tendo chegado a um acordo, um gritou. “A de vestidinho”. O sinal abriu e eu segui em frente, porém, a cena não me saiu da cabeça. Então me lembrei de uma matéria que li recentemente, na qual, dizia que o Departamento de Agricultura dos EUA, fez uma pesquisa em 2008, e chegaram à conclusão que o custo estimado para se criar um filho nascido em 2008 até os 18 anos numa família de classe média nos Estados unidos é “de 221.190 dólares (291.570 dólares com ajuste da inflação)”. Se convertermos isso para reais, da uma pequena fortuna.

     Então fiquei perplexo com meus pensamentos seguintes. Eu me vi pensando, que os pais daquelas meninas, passaram prováveis noites em claro quando elas eram pequenas, preocupados com uma provável febre, cólica e todos os pequenos problemas que as crianças dão até chegarem à fase adulta. Pensei no quanto eles devem ter ralado (trabalhado) para dar a elas uma vida digna, agora estavam elas ali, dando bola para três jovens desconhecidos, os quais provavelmente, só viam nelas, uma probabilidade de se divertirem um pouco, de ter prazer sem compromisso.

     Será que eu estou ficando velho? Ou só estou saudoso de um passado que não volta mais? Será que estou vendo coisas de mais, nas ações alheias? Não tenho resposta para nenhuma dessas perguntas, só que tudo está mudado, o tempo está passando e, eu estou ficando perdido na corrente do tempo. 

     Hoje, para mim, tudo ficou sem sentido. Não há mais lugar, para o verdadeiro romantismo. Todos querem viver o momento, ter prazer imediato, sem compromisso, sem pensar no amanhã.

     Num momento, as pessoas estão se beijando, noutro não se lembram do que passou. A idéia é viver lá vida louca. Beber, fumar, se divertirem. A meu ver, a juventude não tem respeito por si mesmo, muito menos pelo próximo. 

     A ordem do dia é dirigir carros potentes, em alta velocidade, com o tubo cheio, vindo de festas onde se servia “cuba livre uísque 12 anos e outras coisas mais”. Sair atropelando tudo pela frente, sem culpa, sem medo de ser feliz. Pois a impunidade é o habeas corpos do contraventor. Quem perde a vida, ou estava no caminho de tal ser é que é o culpado, por estar no lugar errado, na hora errada.

     Aonde vamos parar com tanto desrespeito a vida e a si mesmo?
 


Felipe F Falcão
Enviado por Felipe F Falcão em 02/10/2011
Alterado em 03/10/2011
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