Felipe F Falcão

Textos


Imagem meramente ilustrativa (arquivo do Google)
 
     O que é o amor senão uma brisa mansa que passa breve, deixando um perfume de rosas no ar. Quem sabe, seja a confluência de dois corações, perdidos em sentimentos que se encontram ao acaso da vida, para juntos formarem um lago de magma incandescente.
 
     Por mais que eu procure uma explicação plausível, mais me perco em pensamentos interrogativos. Pois, o amor para mim, é um sentimento que por vezes nos dá uma sensação de felicidade, noutras, de profunda angústia. Sensação de vazio, um misto de satisfação e insatisfação... Tudo ao mesmo tempo. 

     Era como eu me sentia naquele, 26 de dezembro. Havia passado uma noite de natal maravilhosa, em um quiosque a beira-mar, ao lado de Laura, uma loura estonteante, que usava um perfume essência
 de rosa inesquecível. O dia amanhecera, cada um foi para o seu lado. Não nos encontramos mais naquele, 25 de dezembro. À noite eu voltei para São Paulo, pois tinha que trabalhar no dia seguinte.

     Pela manhã, fui para o escritório, pois tinha que trabalhar. Papelada atrasa, muito serviço por fazer. - Na sexta que antecedia a véspera de natal, o patrão me liberara meio dia, mas, recomendando-me veementemente que na segunda, precisaria de mim no escritório – Tínhamos que por a documentação pendente em ordem antes de fechar o ano. 

     O dia foi sufocante. Trabalhei no automático, todo o tempo. Aquela imagem não me saia da cabeça. Aquela voz angelical, aquele sorriso lindo, aquela risada gostosa de ouvir, era tudo que eu tinha na cabeça. 

     Ao fim do dia, fui para um barzinho, ao lado do trabalho. Tomava uma dose dupla de Logan com gelo. Queria afogar aquele misto de contentamento e de angustia que me invadia a alma, mas nada estava ajudando, até a música ambiente estava contra mim! Tudo que tocava, era samba e pagode romântico. 

     O golpe definitivo, as minhas emoções, veio com uma canção, “Volte Amanhã”, na voz de Eliana de Lima. Quando começou a execução...

 
     Ah! meu amor.....Quando você vai embora
     A solidão me sufoca.....E eu começo a chorar
     sei que você.....Tem que seguir seu destino
     Não se preocupe comigo.....A vida é mesmo assim
     Eu sinto o teu cheiro que ficou em mim
     E morro de saudade dos carinhos teus

 
 
     Naquele momento, de olhos fechados, de cabeça baixa, eu ouvia a canção. - A melodia dominante eram as batidas do meu coração - Embora eu estivesse de corpo presente no bar, meus pensamentos estavam no quiosque à beira-mar. Quando a musica chegou ao refrão...

 
     Volte amanhã.....Eu quero você de novo
     Preciso sentir o teu corpo
     Você me faz feliz¹

 
 
     Senti no ar um perfume de rosas, uma onda de calor percorreu-me a espinha dorsal, das Vértebras Cervicais ao Sacro. Numa reação abissal, eu abri os olhos. Lá estava a minha frente, aquele anjo-mulher, tendo em sua companhia, uma senhora que era a copia dela, porem, alguns anos mais madura. Sorrindo, plena de êxtase, ela disse.

     - Que milagre te encontrar por aqui, eu vinha falando para minha mãe do cara legal que eu tinha conhecido na praia...

     Ela olhou para sua mãe, meia sem graça. Eu não sabia o que dizer: a menção do cara legal, que ela havia conhecido, poderia ter sido outro sujeito qualquer, porém, fique enciumado, na defensiva, mas a verdade é que eu ficara feliz por vê-la. Por dentro, minha alma sorria de felicidade. Ela disse, constrangida.

     - Creio que o destino está conspirando a nosso favor, eu estava passeando com a mamãe, só entrei aqui, por causa da musica. Ouvi uma época que essa canção era o hino da minha vida... Então pensei em descansar um pouco e tomar um suco, enquanto ouvia a execução dela.

     Eu as convidei a se sentarem a mesa comigo, o que elas aceitaram sem cerimônia. Acreditem se quiserem, mas desde daquele, 26 de dezembro, minha música preferida é “Volte Amanhã”. Talvez no amor, nem tudo seja flor, isto é, todo tempo, mas a minha amada tem perfume de rosas. 
 
     Se na ausência da minha amada, aquela solidão sufocante me bate a porta, sempre digo a ela, “Volte Amanhã”, pois o desejo de amar ainda está latente em mim. Tudo que quero nessa vida é ser feliz, volte amanhã solidão, hoje não te quero aqui.
 
 
     1 ”Volte Amanhã” composição e interpretação de Eliana de Lima.


 
Felipe F Falcão
Enviado por Felipe F Falcão em 27/12/2011
Alterado em 31/12/2011
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