Felipe F Falcão

Textos




 
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Sendo ainda criança para entender o mundo, Adriano esperava sempre com ansiedade o que para ele eram as duas guerras mundiais “permitidas” por lei até então. Uma das guerras acontecidas nas férias escolares no meio do ano e a outra no final e inicio de cada ano. Faltava espaço no céu para tantas pipas juntas, e como era grande o mundo, cobria o bairro inteiro. E as linhas com super cortantes das outras vilas não perdoavam as pipas de Adriano, e de sues amigos de infância. E, iam embora maranhão, peixinho, barraca, estrela e as frágeis capuchetas. E se não fosse pelo sempre disposto especialista em resgate de pipas, de apelido Saponga, seria impossível ter um de volta.

Mas, no intimo e ainda sem saber o porquê, o que o pequeno Adriano queria mesmo não era ter uma pipa, para não ser cortada e sim ser como uma pipa cortada, tendo como dono por um tempo, o vento. Para ele, nada era tão livre e solto como uma pipa cortada. E elas quando iam embora com suas rabéolas embaraçadas no ar, eram como se lhes dissessem:

- Você não vai?

Ainda mais, quando o vento decidia sumir com uma, fazendo com que o Saponga perdesse o fôlego, tentando ir atrás. Triste sim eram as pipas cortadas e aparadas. Os inimigos as exibiam com orgulho no céu e bradavam seus gritos de vitoria provocadores:

- Vem buscar!

Adriano apesar de jovenzinho já começava a perceber que todas as pipas do céu, as que eram de amigos ou inimigos estavam todas, misturadas e todas aparentemente eram iguais, tinham as mesmas cores, os mesmo estilos, as mesmas danças atraentes e até os mesmos debiques que faziam com que uma pipa pudesse descer para a direita ou para esquerda em alta velocidade.

 Adriano nunca sabia realmente qual das pipas iria se aproximar da sua para deixar o céu mais bonito e colorido, ou cortá-la para que um vento sinistro, duvidoso e desconhecido a levasse para um imaginário campo de concentração, com torturas e trabalhos forçados. Os donos das pipas iscas, nunca se mostravam e por isso, nunca se sabia se o vôo rasante que uma iniciava seria como a de um gavião assassino, ou para apenas exibição e distração.
 
***
 
Do pai, senhor Francisco, Adriano absorveu valores. Entre estes, o de jamais ter usado um palavrão como expressam de desgosto por alguma coisa, não ter vergonha de correr de uma briga ou passar por medroso para evitar uma. Gostar de terra, ter algum tipo de planta no quintal, frutífera ou não, e ter cuidado e carinho com os animais de criação domestica. Evidentemente que este carinho por animais custou para o pai de Adriano, a já a dita noite inteira de prisão e vergonha na família, por colocar galos para brigar uns com os outros. Mas que lhe serviu de lição e posteriormente desinteresse pela rinha do japonês Aracati.

Mas, foi da mãe dona Maria Tomazelis que Adriano despertou certo interesse por querer ter maiores e melhores respostas a certos por quês da vida.


Continua...




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Felipe F Falcão e João Silva
Enviado por Felipe F Falcão em 05/12/2016
Alterado em 18/12/2016
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