Felipe F Falcão

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COTIDIANO DE DESOCUPADO
 
O próprio Adriano – alguns anos depois
 
 
 
 
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Caetano Veloso é um atrista que sempre admirei, suas canções falam de verdades, sentimentos reais, compressíveis por todos, menos, exceto, para os ditadores de regras desse existiu nesse Brasil. – Há que diga com veemência, que a ditadora nunca acabou, mas são apenas conjecturas- Mas a canção “Quereres” de Caitano, sempre me levou a reflexão. E por aí vai.

Creio concordar com a cação, pois o ser humano de fato é assim, tanto para as coisas boas quanto para coisas más, há sempre para estas coisas um querer envolvido. Creio também, ser por isso que algumas pessoas fazem coisas do tipo; dar comida aos pobres, doar roupas, carona, dinheiro ou abraço. Pessoas que fazem coisas más como matar, roubar, enganar, xingar e desejar que um outro quebre a perna ou coisa assim. Mas enfim.... Depois desse pensamento rápido, entrei no metro com a intenção de ir ao centro da cidade. Logo tomei uma pisada no pé acompanhada de um pedido de desculpa do gorducho. Sem responder nada, de repente me veio à mente como se pede desculpas por coisas simples e pequenas. Será que é por sentimento de culpa mesmo ou por não ter outra coisa para dize? De qualquer forma é um querer.

Os estados Unidos nunca quiseram pedir desculpas por Hiroshima e Nagasaki, um grande e complicado motivo. Empregados pedem desculpas aos chefes por chegarem atrasados nos empregos. Não haveria pedidos de desculpas que os alemães e Hitler pudessem obter dos Judeus. Muitas pessoas pedem desculpas a outras apenas por terem esquecido o número do telefone. Já os líderes de guerras, não tem como pedir desculpas por mortes de civis. O mundo é assim, de querer e de não querer. Muitas pessoas cometem erros pequenos e muitas outras cometem erros graves, mas todas elas carregam dentro de si mesmas um “direito” e uma condição independente dos outros, de se sentirem culpadas ou inconscientes, e a lei... o que pode ela contra este sentimento?
 
***
 
O metro agora tem pedintes como nos trens, e, tem vendedores ambulantes também. Uma propaganda bem na minha frente, me deixou com uma dor incomoda na testa. Era uma moça que olhava fixamente com a cabeça erguida para trás, a gota de um colírio que lhe iria cair no olho. A cabeçada que eu dei em um poste quando criança até hoje me incomoda quando vejo algo em direção ou próximo a uma testa, mesmo que não seja a minha... trauma de infância mesmo.

Depois de subir a escada rolante para logo em seguida chegar a banca de jornal da Sé, já tive de responder com o meu primeiro não a um pedinte que me pediu um Real ou um passe de ônibus que também serviria. Imediatamente pensei comigo: “Se você soubesse da situação meu filho, me daria o que já conseguiu”, ultimamente quando vou ao centro da cidade, levo apenas uma coisa na carteira além dos documentos: um passe duplo de metro.

Parei por um instante atentando-me para o movimento da praça: gente, cachorro, coqueiro, banco, e a catedral que por alguns instantes prendeu a minha atenção, a detalhes como a um investigador curioso. Obra caprichosa, linda e imponente. Reta e correta. Com escada e porta. Torres... acho que um para-raios em cima de cada torre. Eu na banca de jornal. Minha testa com mais uma dor nela. As torres, os para-raios. A distância entre os para-raios e minha testa. A banca de jornal. A dor na minha testa com um para-raios cravado nela.

Só me dei conta de que o tempo estava passando, e, eu sonhando acordado, quando um sujeito “ com uma bíblia na mão” gritou para uma roda de pessoas que o mundo iria acabar, que não ficaria aqui pedra sobre pedra.
 

***
 
Em uma outra parte da praça, um contador de histórias prendia a atenção de umas trintas ou quarenta pessoas, como se fosse uma professora de colégio primário. Encantava os ouvintes narrando a sua chegada a terra depois de um longo passeio de vários anos, por todos os planetas conhecido, por detalhar a cada um deles, e garantiu “ o contador de histórias” que com todos eles a humanidade não precisaria se preocupar que não ofereciam perigo algum.

A exceção do perigo estava, não em planetas e sim num satélite. A nossa falsa romântica, e, aparentemente inofensiva lua, ela sim, representava um grande perigo. Pois, ele garantiu que antes de pousar na terra, foi fortemente beliscado por ela, de maneira... um tanto quanto traiçoeira e sem dó. A lua e o nosso maior inimigo, afirmou o sujeito a plateia que já passava a ser de umas sessenta pessoas. O orador, continuava imbuído de convicções, asseverando que a lua é falsa e traiçoeira, e dizia:

- Não confiem nela casais românticos. Levem-na para bem longe da terra, astronautas heroicos salvadores da humanidade. Ela, a lua, não deseja namorar e controlar só o amor, mas, deseja a todo custo ser a dina da terra inteira também. Ela também deseja dominar o mar, mas não o mar propriamente dito, mas sim, o mar da humanidade, gente curiosa como vocês, podem ser vítimas fáceis se não se cuidarem. Basta um simples movimento planejado por ela e todos seremos bonecos, marionetes em suas mãos. A lua meus caros ouvintes, podem ter certeza, é o avesso da verdade e da bondade. Eu não fiz absolutamente nada com ela para merecer aquele beliscão, sem dó e que está me doendo já faz três anos. Meu nome é José Lesposcatchore muito prazer em conhece-los.

Tira a todos vocês o meu chapéu, não para que me deem algum dinheiro, não, mas pelo fato de eu perceber nos olhos de vocês, que estão realmente acreditando em mim. Eu sou quem deveria pagar a vocês por esta nossa conversa reveladora, amanhã estarei aqui novamente, tragam seus filhos, mulheres, irmãs, primos e tios, para ouvirem e passarem a ter a minha “e agora” a certeza de você também de que a lua está mal-intencionada com relação a nós. Ela deseja nos fazer escravos a chicote, pão e agua até que morramos. E por último, antes de dizer adeus, quero que levem para casa, esta última revelação que causara preocupação, mas que se faz necessária.

A lua mora em São Paulo, e, não pretende se mudar, pois, gostou muito da “caipirinha” bem gelada e dos temperos vindos de fora que aqui tem. Muito obrigado a todos pela a atenção dispensada, vão para casa e sejam felizes, mas voltem amanhã, não se esqueçam eu estarei aqui esperando.


Com toda a habilidade que tem um vendeiro artista de rua, não foi preciso para aquele contador de histórias, passar o chapéu na tentativa de ganhar uns trocados. Um bom artista conhece um bom público, e, o povo da cidade sabe por si só, se o show vale ou não. E contando com isso, aquele senhor “utopista” levou o ganha pão do dia.

Continua....



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Felipe F Falcão e João Silva
Enviado por Felipe F Falcão em 18/12/2016
Alterado em 16/03/2017
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