Felipe F Falcão

Textos



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UM ESPELHO QUEBRADO PARA ADRIANO
 
 

 
Eu prefiro ser
Essa metamorfose ambulante
Eu prefiro ser

Essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que te
r aquela velha opinião formada sobre tudo”
 
 
Até que cantava bem aquele velho roqueiro que com um violão também velho tinha quatro desocupados como ouvintes, “a menos que ele não queira”, resolvi tentar arrancar alguma daquele perguntando se ele achava com sinceridade que o rock já estava morto. Já esperando ouvir um: “ você está louco cara! ”

Fiquei surpreso, quando ele com uma voz firme e segura me convidou para sentar e conversar um pouco. Não precisou muito para ver que ele tinha um visual de roqueiro e agia como um, porque não gostava de ficar sozinho. Ele me disse que estava na verdade passando por necessidade financeira, por não ter emprego e nem preparo para ter um que pelo menos lhe desse o que comer. Restava-lhe então o violão e a canção para der no que desse. “ Um dejavu para mim”.

Perguntei de que cidade ele era, e quando me respondeu ser de São Paulo mesmo, achei que poderia inclui-lo na minha construção de um paulistano influenciado pela cidade e pelo mundo sem poder dizer não aos próprios olhos. Ele começou a dizer, depois de ter me estendido a mão.

- Olha, meu senhor, meu nome é Donizete, mas pode me chamar de “fantasma” se quiser. E o senhor é?

- Adriano Reis.

- Pois bem Sr. Adriano, estou sozinho porque sempre valorizei e elogiei tudo o que os outros faziam, mas nunca o que eu fazia. Veja como o mundo foi injusto comigo: Mick jagger tinha Keit Richard, Robert Plant tinha Jimy Page, Roger Daltley tinha Pet Touer e por aí a fora. No meu caso, eu procurava alguém para compor comigo, para arriscar comigo e andar comigo, mas nunca achei alguém que pensasse como eu. Não era porque os caras eram americanos ou ingleses não. O Raul Seixas, por exemplo, tinha Paulo Coelho, Claudio Roberto, nos Mutantes tinha o Sergio Dias como o irmão dele, o Joao Ricardo tinha o Joao Apolinário ou Ney Mato Grosso e tudo dava certo. Eu tinha boas ideias, lançava para os meus manos da época, mas ninguém me levava a sério, não tinha grana para comprar guitarras, baixo ou bateria, mas violão era barato e os outros instrumentos de percussão até boliviano, chileno e argentino tinham, batalhavam aí na porta do Municipal, praça da Sé, Patriarca, e, eram pelo menos felizes e companheiros que estavam juntos. Já eu cara... aí...estou aí, sobrou eu e o meu violão.

- Pronto! – Pensei comigo – Mais um lucido igual a mim. São Paulo é pequena demais para dois lúcidos. Perguntei se ele sabia jogar xadrez, ele disse que não. Achei uma pena porque se ele soubesse poderia ensina ao Jô Soares para jogarem juntos e serem amigos para sempre. É uma boa dica para quem quer ter um amigo, é só anuncia que quer aprender a jogar xadrez e pronto, terá um amigo para sempre do seu lado.

Sem pensar se era tarde demais para dar uma dose de animo naquele individuo perdido, fui logo imaginando se poderia ser aquele o resultado final da minha construção de um paulistano Tom Cruise ou Frankenstein. Tinha certeza comigo se aquele acabado roqueiro se submetesse a uma noite inteira de uma dose de animo, como muita coragem, iria ver que tão bom quanto qualquer dupla de Rock é também um Bob Dilan, Nyl Young, Zé Geraldo, Zé Ramalho, Fagner, Alceu Valença e muitos outros solitários por aí. Mas naquele momento, o que ele precisava mesmo era de uma boa dose de animo, ou seja, Luiz Gonzaga puro na orelha e o rei do baião daria um jeito, ou não... pelo menos é o que eu achava para o caso dele... sei lá!

- Homem chato aquele, - pensei comigo – espero que ache um tocador de bumba ou outro instrumento qualquer.


Continua....




Para ler o próximo capitulo, clik no titulo a frente: O CANINDÉ - O ÍNDIO QUE NEGOU O TEMPERO - 13 capítulo ( série romance)
Felipe F Falcão e João Silva
Enviado por Felipe F Falcão em 13/02/2017
Alterado em 02/03/2017
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