Felipe F Falcão

Textos




 
UM QUERER PARA AFRICA LONGINQUA.
 
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Ao entrar no metro com a intenção “rotineira” de ir ao centro da cidade, peguei um pequeno jornal de distribuição gratuita para poder ler na viagem e um apelo anônimo pedindo consciência nas questões que envolviam a África me chamou a atenção, pois, poderia compor o coração da minha construção, por ser interessante e bom, dizia o seguinte:

- Bem ... muito bem... vamos ao assunto. Pelo que me diz respeito e pelo que a vocês dizem respeito. Pelo que estamos sentindo agora ou sentiremos daqui a duas ou três horas, e pelo amor de Deus que seja assim.

Antes da fama, da cama, do rock, do esporte e dos músculos fortes, matemos a fome das crianças da África. Antes da viagem, das férias, das malas, antes do luxo, do sujo, da oportunidade, da vaga do emprego, da cachaça, matem sim a fome das crianças da África. Digamos não a rainhas reis e bispos, que o tempo é longo demais e não se faz e não se fara apagar a dor, o horror de se deixar já, agora neste exato momento crianças morrendo e me mantando. Pois, nada me destrói mais ou me engana para vida tocar. Antes do caos, do caso, do cartório, do casamento e lua-de-mel, matem a fome das crianças da África. Antes do cheque, do lucro, do vício, do voto, da arapuca armada, antes de ser rico e poderoso, matem a fome das crianças as crianças da África.

É bom por isso no coração da minha construção. Artigo de um sonhador anônimo que uma professora de nome Gisélia resolveu pedir para que os alunos raciocinassem a respeito e em seguida fizessem um trabalho escolar individual.

 

***
Cheguei na cidade, rodei por vários lugares, em seguida voltei para casa e sem banho me deitei. Acredito ser um bom homem anônimo e sonhador com relação a África, minha concordância com ele foi imediata. Sei que já tive com um dos meus amigos de infância um querer impossível para resolver os problemas da fome no mundo e em especial a dos africanos. Na verdade, há duas coisas que na minha vida inteira eu nunca pude entender ou aceitar o porquê da verdade, a fome na África e no Nordeste. Acho que irei falar muito da África depois deste artigo. O que sei é que na questão dos africanos, os malditos colonizadores carregam muita culpa, já o nosso Nordeste a culpa é minha, sua e da nação. Nação que se esquece que vale mais do o país.
 
***
 
Uma cabeça pensante é como um quarto mal arrumado por tantas coisas que há dentro. Na minha construção haverá quantos. Para quem deseja em um deles ficar por alguns minutos, ou horas, poderá achar algo interessante ou útil. Já o meu quarto de dormi há um televisor, mas nem sempre me conforta, o útil e o inútil estão em balas que roubam muito. O saber é o bom que se distribui as outras pessoas, porem, e o que vem da TV não se preocupa muito com isso.

Minha construção ou o meu querer um tanto estranho, “ e olha que só está no projeto”, tem me deixando preocupado a ponto de eu já estar ficando relaxado até comigo mesmo. Já não faço a barba, esqueço o boné na cabeça até na hora de comer, não me olho no espelho, nem lembro mais de mim, e isso é porque sei que quase tudo que inicio bem nem sempre continua bem até o fim.

Tenho o habito de começar bem as coisas, mas termina-las mal. Mas não por isso tenho má reputação, meus amigos sempre contam comigo para o que der e vier. Gosto de fazer o uso do sim para a bondade, o uso do sim para as crianças, para a velhice sim, os bichos sim, brincadeiras sim. Todo mal, todo mal não, não a ganancia, não a fome, não ao dinheiro que escraviza, não ao palavrão, principalmente o que é usado com malicia ou com duplo sentido nas músicas, filmes e programas de TV.
 
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Sei de dois baianos que disseram algo interessante com relação a São Paulo: Um disse que “são Paulo é como o mundo todo”, e o outro disse que “quem não tem Nova York que fique com São Paulo mesmo” concordo com eles quase que inteiramente, e por não pode viajar ei tenho que conhecer e ver o mundo daqui mesmo e me dar por satisfeito ainda. Sei que meu paulistano “minha construção de um paulistano” será do que aprendo com as pessoas e acontecimentos no mundo.

As vezes pelo que vejo nos noticiários, tenho motivos para odiar a África e as vezes motivos para amar a África. Mas uma canção africana que eu ouvi num show da TV cultura, “e é só lá que se vê essas coisas”, chamou muito a minha atenção. A canção dizia algo sobre um homem e uma mulher que ali na África ainda não haviam morrido e que eram os últimos que gritavam:


“Agora tudo é caos”.
 
Gritavam de forma profética, diziam eles:

 
“Arrependamo-nos antes que seja tarde demais,
Juntem toda tinta verde que houver,
Também o amarelo e as demais cores.
Pitem todos os prédios,
Desenhe neles arvores, frutos e flores.
Juntem todas as crianças
Fortes e saudáveis que ainda existirem
As coloquemos o mais alto que for possível.
Para isto, tentem salvar algumas das últimas nativas existentes, mande-as olharem para cima
Pintem os seus dentes de branco porque branco já foram,
Escondem a carie preta.
Não esqueça de pôr as boias sob as baleias,
Tubarões e peixes diversos.
Tentem a todo custo a arrumar a casa,
Pois ouvimos dizer e é verdade,
Deus está vendo tudo”.


- Homens e mulheres lindos aqueles africanos, - disse Adriano a sim mesmo – Meu paulistano gostara e utilizara esta canção.

Continua...




Para ler o próximo capitulo, clik no titulo a frente: O CANINDÉ - O ÍNDIO QUE NEGOU O TEMPERO - capítulo 14 ( série romance)
 
Felipe F Falcão e João Silva
Enviado por Felipe F Falcão em 21/02/2017
Alterado em 02/03/2017
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