Felipe F Falcão

Textos




 

FATOS
 
14
 
“Um caminhão me chega com informações, eu analiso a carga e vejo tijolo de barro, cimento estragado, cal vermelho,água de menos... Sergio Naia não!... Tentarei ao máximo impedir. ”

- Construção estranha a minha. – Raciocínio comigo mesmo – homem estranho este. Material errado acho que me veio. Enfim, sem comparação.

O fato é que um homem é um mero trabalho do qual se ganha alguns reais se compara uma porta e uma janela. Um mero homem com um trabalho do qual se ganha alguns reais se vive, constrói, se alegra, dói e se leva a vida. Um importante homem no poder público com muitos e muitos reais, fecha-se uma porta, fecha-se uma janela. Um homem num importante poder público com muitos e muitos reais, “ muita” destrói entristece, faz doer e prende sem dar chance a vida.
 
***
Meu paulistano cumprira seus deveres e irá votar na urna eletrônica, não tem jeito mesmo. Mas assim que o meu teatro lhe der vida, contarei para ele historias quando formos pescar, isso ira enriquecer os seus conhecimentos ou poderá empobrece-lo, não sei... sobre poderes públicos, por exemplo, poderei contar para ele uma ou outra das coisas que aprendi e vivi, pois, não me lembro de muitas e antes de perder minha namorada eu só curtia as noites e os momentos sem ter nenhuma preocupação ou responsabilidade com o dia seguinte.

Poderei dizer a ele que com certeza e por política, havia há alguns anos atrás, não muitos, o que era conhecido como a ditadura militar, que era cruel, desumana e verdadeira. Muitos civis viam o governo militar como inimigo e visse e versa. Mas o interessante é que todo mundo sabia o que poderia acontecer se, por exemplo, uma música tentasse explicar alguma coisa sobre o que estava acontecendo, o cinema que mostrava alguma coisa, o teatro com rigorosa censura. As coisas, apesar de serem tristes eram claras, a lei de segurança nacional era quem comandava o pais.

Músicos, atores, escritores, radialistas, professores, e etc. eram atentamente observados e entre eles Fernando Henrique Cardoso que teve de pedir exilo ao governo Chileno. Homem inteligente, culto e até professor, conhecia muito bem o pais em que morava “e mora” com todos os seus problemas e o que poderia vir a ser solução. Mas, em primeira mão e de concordância quase que geral, derrotar o governo autoritário militarista e estupido.

Felizmente mudanças aconteceram. Lembro-me de um homem chamado Teotônio Vilela e de um tribunal com o mesmo nome, onde todos podiam dizer livremente o que pensavam e o que sabiam sobre as maldades causadas pelo regime militar e a lei de segurança nacional. Pelo menos o que se sabiam delas e que graças aquele tribunal, deixou de existir.

Mas o que profundamente não entendo e que hoje temos um governo civil e popular que se diz democrático, justo, “ um sonho geral da nação realizado”. Mas,  estranho o fato de civis e até mesmo militares não terem mais inimigos claros e declarados como nos tempos da ditadura militar. Não terem mais declaradas guerras e mortes nas ruas o que é ótimo e claro.

Mas o que me leva a pensar é, quem era de fato os inimigos reais? Será que ainda hoje temos um poder com força e crueldade semelhante? Ou não significa nada a chacina da candelária no Rio de Janeiro, que ocorreu (Na noite de 23 de julho de 1993, pouco antes da meia-noite, dois carros chevettes com placas cobertas pararam em frente à Igreja da Candelária. Em seguida, os ocupantes atiraram contra dezenas de pessoas, a maioria crianças e adolescentes, que estavam dormindo nas proximidades da Igreja). Ou a chacina no Carandiru que (ocorreu em 2 de outubro de 1992, quando uma intervenção da Polícia Militar do Estado de São Paulo, para conter uma rebelião na Casa de Detenção de São Paulo, causou a morte de 111 detentos). Acrescento a estes, as mortes por erros na hemodiálise dos velhinhos daquele asilo, não me lembro de onde, os policiais de Diadema e as mortes dos sem terras e sem tetos.

A ditadura militar não prestava e certamente que não prestaria hoje, mas pelo menos se via a cara dos inimigos por mais cruéis que fossem. Os inimigos de hoje quem são eles? Na verdade, hoje civis e até mesmo militares absolvem os seus próprios assassinos, e o presidente de quando me lembro de ter pensado nisto, era o senhor Fernando Henrique Cardoso. “Que medo! ”. Enfim:

- Agora dorme meu filho, dorme em paz na minha mente que te farei mais forte e sem precisar se esconder em uma academia de musculação.


Continua....



Para ler o próximo capitulo, clik no titulo a frente: O CANINDÉ - O ÍNDIO QUE NEGOU O TEMPERO - 15 capítulo ( série romance)
Felipe F Falcão e João Silva
Enviado por Felipe F Falcão em 02/03/2017
Alterado em 19/03/2017
Copyright © 2017. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras