Felipe F Falcão

Textos


 
INSÔNIA E REFLEXÃO
 
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“Acho que já é meia noite e deito para dormir com seis mil anos. A luz apagada, os olhos fechados, mas o independente cérebro não para e trabalha mesmo contra a minha vontade. As coisas vêm e vão, vem e vão, e pensa-se tantas coisas antes: para que ir até marte, por exemplo, o que teria lá de interessante. Só se tem conhecimento de 5% do mar. Vem imagens como televisão, globo repórter, panqueca, martelo no dedo, carro, cultura, TV cultura. Qual será o tamanho do universo? Se a terra não existisse? Para ir até o espaço só se for como foguete mesmo, fusquinha tem motor muito fraco só foguete mesmo.

Nos dias em que vivemos, filhos matam os pais e visse e versa. A história da humanidade começa em Gêneses. Gustavo Dore. Uma canção dos Beatles outra do Bob Dylan. Marmelada com queijo. Batida de carro por causa da batida de amendoim. Quantas pessoas já devem estar dormindo? Quem está tomando banho? Índio, floresta, tudo escuro, pai, mãe e indiozinho. Será que existe saci Pererê? Não tenho medo da ausência de luz! Pelé, só o Pelé mesmo, não quero saber mais de futebol depois que os palmeirenses e corintianos mataram aquele menino.

Emprego. MST. Levanto a mão direita no escuro tento pegar o ar ou algo assim. Será que tem barata no guarda-roupa ou rato no fogão? Meu vizinho, meus vizinhos, gente ainda na rua, meia noite não é tão tarde assim. Mas todo mundo dorme, todo mundo precisa dormir um pouco. Coceira no pé, virilha, cotovelo, os órgãos do corpo humano como são complicados. Cérebro bobo, será que esta noite vai ser uma daquelas, aí... ai, boa noite...”

 
***
              
Seis e trinta da manhã, acorda Reis acorda, minha consciência me chama logo cedo. Acordado, lembro-me da construção, da necessidade de construção e de remédio. O tempo passa, e como estaria o meu querer, ainda um Franquistem com esperança de ser Tom Cruise. E sabe massa pelo que já são quase pernas. Massa, “ um dia a massa comera do fino pão que fabrica”, onde eu havia ouvido isso.

E que dizer de osso, sangue e conteúdo, mas qual conteúdo?

Querida África empreste-me seus quenianos, preciso andar rápido, São Paulo e grande e de subidas e descidas que não acabam mais.

Crianças, como tem crianças nas ruas, crianças sempre guardam segredos e são muito interessantes, as que eu conheço nunca me contam nada, e, é um tal de quem roubou as bolinhas? Quem quebrou o pião? Quem cortou a minha pipa? Qual menina gosta de mim? São Paulo já não tem mais terra, pobre da minha construção, já nascerá adulta, eu não arranco nada das crianças, me perdoe Tom Cruesinho, me perdoe Franquistaisinho, mas assim que um de vocês nascer, seja lá qual for, eu o levarei ao circo para cantar: uma pirueta duas piruetas bravo! Bravo! Ou a uma festa, quem não gosta de festas? No Brasil tudo pode virar festa.


Ah Brasil, me ajude a dar ao paulistano que terei um bom nome, não um americano, não quero falar inglês, quero falar Tupi Guarani antes mesmo do português.


Continua....



Para ler o próximo capitulo, clik no titulo a frente:O CANINDÉ - O ÍNDIO QUE NEGOU O TEMPERO - 16-17 capítulo ( série romance)

 
Felipe F Falcão e João Silva
Enviado por Felipe F Falcão em 06/03/2017
Alterado em 19/03/2017
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