Felipe F Falcão

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Nota: Para a sua melhor compreensão,   se quiser ler os Capitulos 9,10, antes de ler o capitulo abaixo, clik no link à frente: O CANINDÉ - O ÍNDIO QUE NEGOU O TEMPERO - 15 capítulo ( série romance)
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UM PESADELO
 
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Eu quero, tu queres, eles querem, quem não quer ser ou ter alguma coisa? Querendo ou não querendo o cansaço nos leva ao sono, e com sono deito-me, fecho os olhos e sonho. No sonho não sei onde estou, tenho uma sensação estranha, tenho certeza de que nunca vi e nem nunca senti de uma outra forma algo semelhante. Puxo, trago mais perto, é rio, é ouro, é pedra, é peixe e agua para mim. Tinha um cantar, um cantar estranho, não um cantar de sereia, sereias não existem, era persona grata, consertava as coisas. Voava e me levava a voar junto num escuro imenso e tranquilo, mas não um escuro por ausência de luz, havia luz, mas não solar ou artificial apenas uma luz desconhecida e atraente ao mesmo tempo.

O fato é que meus olhos viam, e eu via-o do meu lado. Mas o que era afinal? Eu perguntava tudo em silencio, um rosto lindo e feio ao mesmo tempo e também desconhecido, com um dedo nos lábios me mandava acalmar, que a resposta viria. Alma albatroz velos que multiplica a vida por mil possibilidades boas e também estranhas, mas vamos “ eu dizia sempre” se revela logo para mim. Era algo explicito e claro, acontecia como se fosse um querer do próprio querer e não o meu. Eu não compreendia e querendo compreender, eu mais puxava e trazia mais para perto, de repente vi, e vendo entendi, só entendi por abrir a cortina, a vidraça, a janela, no escuro do fundo do meu quintal, perto do pé de ameixa, um enorme, enorme não um gigante, um brutamonte, um baita bicho que queria cortar o meu umbigo. Mas eu não iria deixar, e exigi uma identificação imediata, ninguém vai levar meu umbigo fácil assim. Perguntei também em silencio o nome daquilo ou daquela que me respondeu:

- Sou Quebasta!

- Quebasta – disse eu a coisa de nomee forma estranha.

- Sim, - disse ele – Quebasta da Tranquilidade Possível e Silva.

Antes que eu pudesse dizer, todo tremulo:

- Adri... dri... dri... a.…no Reis muito prazer, gritei sem ser ouvido. Freud! Freud! Freud onde está você?

Aquele bicho sem capa, espada ou mascara queria fazer de mim um bicho Reis também. Eu não pude evitar, pois ele tinha um umbigo também e entre o dele e o meu havia um cordão de aço, aço pulo e inquebrável mesmo com cem anos de idade. E a noite passa e o tempo passa, e o tempo diz para o tempo sem mais ninguém poder ouvir ou entender: dorme Reis dorme, amanhã você acordara como todos os que estão dormindo e sonhando acordado e.… e é assim que acontece, acordam, vão ao banheiro, tomam café e vão trabalhar ou procurar emprego. Outro ficam em casa, nos bares, nas calçadas, esquinas ou praças, cheios de culpas e desculpas.

- Homem estranho sou eu, sonho estranho o meu, que Reis sou eu afinal?
 
 
 
 
 
 
BUSCA POR CINTEUDO
 
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Dezoito semanas de construção, como passa rápido o tempo, logo Tom ou Frank chegara. Construção difícil a minha, muita informação chega ao mesmo tempo.

São Paulo é mesmo como uma internet grátis de informações onde todos parecem apertar o “enter” quando saem do portão de casa ou ligam a TV. Preciso fazer uma lista de novidades para o Tom, uma lista enorme de novidades para compor o conhecimento da minha criação, cadernos, livros, computador, celular, máquina de lavar roupas, avião a jato, ingresso para a próxima viagem a lua, microchip, um médico robô e uma câmara fotográfica de última geração, tudo isso para Tom, se for o Tom que chegar. Uma lista para Frank...

Como estão caras as coisas, preciso fazer uma pesquisa de preços. Faca, arame farpado, produtos químicos, enriquecimento de uranio, misseis, canhão, metralhadora, veneno, raticida. Nossa... quantas coisas. Por entanto é só isso, não posso arquivar tantas informações de uma só vez. Mas qualquer um deles que nascer já terá um bom número de informações para o seu cérebro juvenil. Será bem-vindo e tratado com igualdade em relação aos filhos do mundo todo com certeza. Afinal, é para isso que os pais servem e o meu filho será como os filhos de todo o mundo, aprendera de tudo um pouco como qualquer garoto aprende.
 
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As semanas irão se passar. E o meu cérebro? A cérebro cruel! Que cérebro mais insistente, pergunta tudo e quer saber tudo e com isso ansioso me deixa. O meu medo é que o paulistinha, ao nascer use verdadeiramente como ter de ser usado os seus cinco sentidos*, e me faça aquelas perguntas que eu sei que não será de uma mera criança. (Me desculpem por ainda não ter deixado claro que ele já nascera quase que um jovem formado e perdera um pouco de sal infância, infelizmente). Coisas do meu querer e do meu teatro amador. Mas eu saberei como engana-lo.  Deixarei pronto diante dos seus olhos para assim que forem abertos poderem ler um cabeçalho dizendo: São Paulo, dia tal, ano tal, hora tal, tudo no presente, nada no passado e sem necessidade de recordações.

*Usar verdadeiramente os cinco sentidos para Adriano seria simplesmente não fazer uso dos sentidos para prejudicar não só a ele mesmo, mas a qualquer outra pessoa, como se sua criação se integrasse totalmente a natureza mesmo não sendo um animal irracional e com isso poder viver em harmonia com o mundo, em paz na verdade e de uma verdade mesmo que por ele ainda não vista e conhecida.
 
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Caro amigo e companheiro cérebro... minha preocupação tem fundamento não é verdade? Se a minha criação, o meu eu fora de mim ao nascer perguntar já usando as primeiras funções do seu cérebro recém-nascido: pai a roda já foi inventada? Estou vendo arvores, flores e pássaros, quem inventou tudo isso? E este cheiro de terra, mato e esterco, porque me fazem tão bem? E o céu, as nuvens, o sol e a lua, quem nos deu tudo isso? O senhor já agradeceu? Meus primeiros passos serão para dar um mergulho num rio qualquer e depois vou andar por aí há fora. Que interessante deve ser existir, e olha que são apenas os primeiros passinhos do meu cerebrozinho, quero descobrir como é o mundo.

- Calma Reis, calma! Tudo vai dar certo. Ansioso é o Reis, desconfiado talvez...


Continua....


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Felipe F Falcão e João Silva
Enviado por Felipe F Falcão em 19/03/2017
Alterado em 19/03/2017
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