Felipe F Falcão

Textos



 
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Paulo acordou, por volta das sete da manhã. Na primeira tentativa de abrir os olhos, ele não obteve êxito, pois a claridade do ambiente era muito forte. Esfregou os olhos, com as costas das mãos e tentou novamente, abrindo-os lentamente. Ao primeiro momento, não pode discernir quase nada, porém, aos poucos, seus olhos foram se adequando a luz ambiente.

Recordou-se, de ter ficado deitado ao lado de Junny, admirando-a dormir. Olhando ao seu lado, ele constatou que ela não estava ali, ao seu lado. Ao primeiro momento ele chamou por ela.

-Junny!

Esperou por um momento, mas não houve nenhuma resposto. Decidiu que iria verificar se ela estava na toalete. Ao se levantar, ele sentiu uma fisgada na cabeça, uma dor que fez com que ele fechasse os olhos. Sentou-se à beira da cama, passou as mãos levemente sobre os cabelos, sentiu-se como se tivesse pressionando várias agulhas sobre o coro cabeludo.

Fez um grande esforço para se levantar, foi caminhando em direção ao banheiro. Bateu levemente na porta e chamou.

-Junny você está aí dentro?

Silêncio total. Diante da falta de respostas, ele girou a maçaneta. Junny não estava lá. Ele ligou o chuveiro, levou a mão a água que cai em um jato potente, a temperatura estava boa. Ele entrou debaixo do chuveiro e ali ficou por um bom tempo, deixando a água quente cair sobre a cabeça, no intuito de ter sua dor de cabeça amenizada.

Após o demorado banho, ele foi ao guarda roupa, escolheu um terno preto, camisa azul e gravata preta com listras azul. Tendo enfiado a camisa por dentro da calça, ele ajustou o cinto. Olhou novamente por todos os cantos do quarto, não divisou nenhum vestígio ou peça de roupa de sua Junny. Pôs a gravata, calçou os sapatos e desceu.

 Meio pensativo, Paulo foi até a cozinha, abriu o armário e pegou uma caixa de remédios que sua mãe sempre deixava ali para uma emergência. Pegou o vidro de ENO, colocou uma colher em um copo com água, tendo mexido bem o conteúdo, ele tomou tudo em um só gole.

Ao voltar-se para a mesa, ele viu um bilhete encostado a garrafa de café. Puxou a cadeira e se sentou. Pegou o bilhete que estava apoia do na garrafa, o pôs de lado, pegou uma xicara e se serviu. Tomou um bom gole do café. Pegou a folha de papel que fora dobrada cuidadosamente em três dobras, ele começou a lê-lo.
 
Querido Paulo, é provável que neste momento você esteja aborrecido comigo, ou quem sabe se perguntando, porque eu sai sem me despedir... eu notei ontem, que você e a senhora Montgomery, se conhecem de alguma forma, e tenho quase certeza de que vocês já tiveram um romance... e que o Paul é seu filho, a final o garoto é a sua cara. O que me levou a ter essas desconfianças, além do que já disse...? A Sra. Montgomery, ficou subitamente desconcertada ao te ver. 

Não me entenda mal, mas quero que saiba que não me arrependo de nada do que aconteceu entre nós.

Sei que eu sou meio maluquinha, que não penso nas consequências dos meus atos, sou assim, não sei ser diferente, gosto de viver a vida intensamente, jamais deixei algo para de pois...

Se você não quiser me ver mais, vou entender. Porém, se apesar de tudo, você quiser me ver logo mais, eu vou estar na praia. Creio que é muito cedo para dizer que te amo, mas posso dizer que estou gostando muito de você. Sei que posso te fazer feliz, se ficarmos juntos, prometo que te darei o melhor de mim, para ser feliz e te fazer feliz... Eu me apaixonei por você no mento em que nossos olhares se cruzaram na casa de praia. Resolva a sua vida, e se eu for a escolhida para esta ao seu lado, você sabe onde me encontrar.
 
De sua Junny... Internamente sua, se você me quiser.
 
Paulo sentiu uma lagrima correr por sua face, sem perceber disse para si mesmo.

-Ela e mais esperta do que parece. Acabou de tomar o café, foi ao quarto, pegou o bilhete que o porteiro dos Montgomery o havia entregado na saída, o pôs no bolço e foi para o escritório.
 
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Passava das nove, quando Paulo chegou ao escritório. Clovis ainda não havia chegado. Os únicos que se encontravam no andar, eram os seguranças, a secretaria, a copeira e a faxineira.

Por estar com forte do de cabeça e mal-estar intestinal, Paulo ao passar pela recepção, disse a secretária.

- Bom dia Linda.

- Bom dia Dr. Paulo.

- Me faça uma gentileza, eu estou com uma dor de cabeça insuportável, creio que deve ter sido o champanhe ou alguma coisa que come no jantar de ontem. Me providencie um Sonrisal, pois já tomei ENO ante de sair de casa, mas não estou me sentindo melhor.  

- Vou providenciar.

- Obrigado, eu vou estar em minha sala, mas por favor, não me passe nenhuma ligação por enquanto.

- Pode deixa.

Não demorou muito, Linda veio com um copo com água e uma cartela de Sonrisal.

Após ter tomado o antiácido. Paulo pegou o envelope que fora entregue pelo segurança dos Montgomery, que trazia no bolso do palito e o pôs sobre a mesa. O leu atentamente, não podia acreditar no que Alessandra havia passado por causa da morte do marido. Tendo a acabado de ler o bilhete, ele o pôs sobre a mesa, e ficou ponderando sobre o que fazer diante dos novos fatos.

Muito tempo havia se passando, mas uma coisa ele tinha certeza ainda desejava a Alessandra com toda força do seu ser, mas agora estava começando um relacionamento sério com Junny, não poderia magoa-la.
A dor de cabeça e o mal-estar estomacal ainda estava latente. Ele tirou o terno, o pôs sobre as costas da cadeira e foi para o sofá de três lugar que ficava próximo a porta. Para não ser surpreendido deitando no escritório, ele trancou a porta e deitou ao sofá de barriga para cima, para ver se a dor amenizava um pouco. Segundos depois, ele adormeceu.
 
***
 
Paulo estava andando em um campo verde, gramado bem cuidado, aves diversas andavam pelo amplo gramado. Andorinhas voavam em bando para lá e para cá no límpido céu azul, da manhã. Ao longe, Paulo ouvia o som insistente de telefone, mas nada se via de algum aparelho. De súbito ele abriu os olhos, estava sonhando, pois estava em sua sala, deitado no sofá.

Ele levantou, meio ainda sem entender as imagens que esteva em sua mente. Foi até a mesa, pegou o telefone e disse:

- Alô! Paulo falando.

- Doutor, sou eu Linda, já está melhor o mal-estar?

- Sim Linda, estou melhor. O antiácido e um cochilo no sofá, fez a dor de cabeça passar.

- Que bom! O Dr. Clovis chegou e mandou avisar que o chefão quer uma reunião com todos os colaboradores as 15h.
- Ok.

Paulo olhou no relógio, já passava das onze.

- Eu vou ter que dar uma saída, – continuou ele - mas volto a tempo.
 
***
 
Desde de o enterro de Rafael, que Paulo não voltara mais ao cemitério. Por incrível que pudesse parecer, o cenário que ele havia visto em seu sonho, era o mesmo que ele estava vislumbrando ao caminhar em direção ao túmulo de Rafael. Gramado bem cuidado, e pássaros caminhando por entre as lápides. 

Ele chegou em frente a lápides, ficou ali olhando para a inscrição que continha os dizeres.
 
FILHO QUERIDO
E
ESPOSO ADORADO.
 
Paulo esboçou um sorriso, irônico. Naquele momento, tudo que ele havia vivido com Alessandra, lhe passou como um filme na cabeça. Enquanto divagava em suas memorias, Alessandra parou ao seu lado, sem olhar para ele ela disse:

- Fiquei no carro observando. Não acreditei que você viria.

Paulo olhou para ela, mas ela se manteve como estava. E o advertiu.

- Finja que você não me conhece, pois acho que fui seguida.

- Por quem, por seu marido?

- Não... ele pensa que vou passar o dia num salão de estética. Creio que é a polícia que está me seguindo... desde que retornei ao Brasil, vejo sempre um carro com dois homens, me seguindo por quase todos os lugares que vou... Reservei uma suíte naquele motel que nós estivemos na última vez antes do tudo que aconteceu com o Rafael... me encontre lá amanhã, as 15 horas.

- E o seu marido?

- Ele vai estar em uma reunião com um pré-candidato à presidência da república. Chegue mais cedo, para que, quem estiver me seguindo não nos veja juntos.

- Ok, estarei lá.

- Agora vai... não olhe para trás, eu irei depois.

Paulo saiu... meio decepcionado, pois, não pode nem se quer olhar nos olhos de Alessandra.



Continua....



Para ir para o próximo capitulo, basta clicar no link afrente: SIMPLES ASSIM - Capitulo 37 (Série Contos romance -Parte III- Vale a pena tentar)
Felipe F Falcão
Enviado por Felipe F Falcão em 03/05/2018
Alterado em 18/05/2018
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